InícioDestaqueA Polícia Civil apura denúncias de racismo e possíveis irregularidades eleitorais envolvendo...

A Polícia Civil apura denúncias de racismo e possíveis irregularidades eleitorais envolvendo uma professora da rede municipal de Potirendaba

Publicado em:

Professora afastada em Potirendaba é investigada por suspeita de racismo e crime eleitoral

Polícia Civil abriu inquérito, enquanto Prefeitura encaminhou gravações e documentos às autoridades; caso envolve declarações feitas a estudantes de 11 anos

A Polícia Civil investiga uma professora da rede municipal de Potirendaba, no interior de São Paulo, após declarações feitas durante uma aula que levantaram suspeitas de racismo, injúria racial e possíveis crimes eleitorais. A servidora foi afastada das atividades em 22 de outubro, depois que o episódio ganhou repercussão e a administração municipal adotou medidas para apurar a conduta.

O caso aconteceu em 8 de outubro e foi registrado por câmeras de segurança instaladas na escola. As imagens mostram a docente conversando com alunos de aproximadamente 11 anos sobre política, fascismo e a possibilidade de o Brasil adotar um regime autoritário. Durante a discussão, ela citou o ditador italiano Benito Mussolini, o líder nazista Adolf Hitler e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo informações publicadas pelo UOL e pela Gazeta do Interior, a situação chegou ao conhecimento da Prefeitura após a mãe de uma estudante procurar a administração municipal. Ela relatou que a filha voltou para casa chorando e emocionalmente abalada com o conteúdo da aula.

Declarações sobre política e fascismo

Nas imagens, a professora aborda a possibilidade de o país entrar em um regime fascista e relaciona esse cenário à extrema direita e ao lema “Deus, pátria e família”.

Durante a conversa, um dos estudantes pergunta se as ideias mencionadas teriam relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado nas falas como referência de um possível cenário político futuro. A professora responde afirmativamente e afirma que o país poderia entrar em uma era dominada por pessoas brancas e ricas.

O conteúdo da gravação passou a ser questionado não apenas pelas referências políticas feitas diante das crianças, mas também pela maneira como a educadora descreveu o destino dos próprios alunos em um eventual regime autoritário.

Comentários sobre a cor da pele dos estudantes

Em outro trecho, a professora aponta para crianças presentes na sala e faz afirmações sobre quem sobreviveria em um cenário como o que estava descrevendo. As declarações levam em consideração características físicas e a cor da pele dos estudantes.

A educadora afirma que uma aluna morreria por ser parda e faz referência a outro estudante usando a expressão “pezinho na senzala”.

Ao ser questionada pela criança sobre o significado da palavra, a professora responde associando o termo ao lugar onde pessoas escravizadas viviam no passado. A fala provocou questionamentos sobre a possibilidade de discriminação racial e sobre o impacto das declarações em crianças negras dentro do ambiente escolar.

A senzala era o espaço destinado à permanência de pessoas escravizadas em antigas propriedades rurais brasileiras, em um sistema marcado pela violência, pela exploração e pela privação de liberdade. A utilização dessa referência dirigida a um aluno é um dos pontos que deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Prefeitura afasta professora e encaminha documentação

Diante da repercussão, a Prefeitura de Potirendaba instaurou um procedimento administrativo para investigar a conduta da servidora e determinou seu afastamento das atividades pedagógicas.

A prefeita Gislaine Montanari Franzotti divulgou o caso nas redes sociais e informou que a administração tomou providências após receber o relato da mãe da estudante.

Em comunicado, a Prefeitura afirmou que não compactua com discriminação, intimidação ou comportamentos que provoquem constrangimento e sofrimento emocional aos alunos. A administração também destacou que a escola deve ser um espaço de aprendizagem, formação cidadã, respeito às diferenças e segurança emocional.

A gestão municipal ressaltou que assuntos históricos como o nazismo e o Holocausto são importantes para a educação, mas precisam ser abordados com responsabilidade pedagógica, sem práticas discriminatórias ou intimidação dos estudantes.

Em 22 de outubro, a Prefeitura encaminhou à Delegacia de Polícia de Potirendaba as imagens da sala de aula e a documentação relacionada ao procedimento administrativo. A investigação criminal ficará sob responsabilidade da Delegacia Seccional de São José do Rio Preto.

Na mesma data, a prefeita informou que também esteve com o promotor de Justiça Rodrigo Vendramini para protocolar documentos relacionados à denúncia.

Quais crimes estão sendo investigados?

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o inquérito policial busca esclarecer se as declarações registradas configuram crimes como racismo, injúria racial, submissão de criança ou adolescente a vexame ou constrangimento e difamação eleitoral.

O caso também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho e à Vara da Infância e Juventude, conforme informações divulgadas pela imprensa. Os órgãos poderão avaliar as providências cabíveis dentro de suas respectivas atribuições.

A apuração deverá considerar o conteúdo integral das gravações, as circunstâncias em que as declarações foram feitas e os demais elementos reunidos durante a investigação.

Até as últimas atualizações publicadas em 23 de outubro, não havia sido divulgada uma conclusão oficial sobre o inquérito ou sobre o procedimento administrativo. A identidade da professora e dos estudantes não foi divulgada pelas reportagens consultadas, que também informaram que o espaço para manifestação da defesa permanece aberto.

O caso segue sob investigação, e a eventual responsabilização da servidora dependerá da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

Texto adaptado: Portal Farol.

Últimos artigos

OUTUBRO NEGRO: inteligência artificial ajuda a revelar falhas críticas que colocam milhões de sites em alerta mundial

OUTUBRO NEGRO: inteligência artificial ajuda a revelar falhas críticas que colocam milhões de sites...

Corpo de homem é encontrado em avançado estado de decomposição em praia de Itapirubá

Um homem de meia-idade foi encontrado morto na faixa de areia entre as praias...

Operação em Laguna afasta presidente da Câmara e apura suspeita de compra de votos

Operação em Laguna afasta presidente da Câmara e apura suspeita de compra de votos Investigação...

Céu retratado por Van Gogh em “A Noite Estrelada” pode ter inspiração em fenômeno astronômico real

Céu retratado por Van Gogh em “A Noite Estrelada” pode ter inspiração em fenômeno...

Leia também

OUTUBRO NEGRO: inteligência artificial ajuda a revelar falhas críticas que colocam milhões de sites em alerta mundial

OUTUBRO NEGRO: inteligência artificial ajuda a revelar falhas críticas que colocam milhões de sites...

Corpo de homem é encontrado em avançado estado de decomposição em praia de Itapirubá

Um homem de meia-idade foi encontrado morto na faixa de areia entre as praias...

Operação em Laguna afasta presidente da Câmara e apura suspeita de compra de votos

Operação em Laguna afasta presidente da Câmara e apura suspeita de compra de votos Investigação...