LUTO NO AXÉ: MORRE NETINHO, INTÉRPRETE DO SUCESSO “MILLA”, AOS 60 ANOS
O mundo da música brasileira está de luto. O cantor Netinho, nome artístico de Ernesto de Souza Andrade Júnior, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos. Conhecido por sua contribuição ao axé music, o artista conquistou o público com sua voz marcante, presença de palco e canções que se tornaram parte da história do Carnaval brasileiro.
Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, Netinho alcançou projeção nacional e internacional, principalmente com “Milla”, um dos maiores sucessos de sua carreira. A morte foi comunicada pela equipe do cantor nas redes sociais.
Segundo a nota oficial, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin de células B. Nos últimos meses, seu estado de saúde se agravou, evoluindo para falência renal e disfunção de múltiplos órgãos.
A equipe destacou a trajetória artística e o vínculo construído com os fãs ao longo dos anos. Também informou que o cantor desejava uma despedida reservada, com velório e cremação restritos a familiares e amigos próximos. A família pediu respeito à privacidade neste momento de luto.
Luta contra o câncer
Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma em fevereiro de 2025, depois de apresentar dores nas costas e dificuldades para caminhar. Na ocasião, foi internado em Salvador para iniciar o tratamento.
Durante o período de recuperação, o cantor compartilhou momentos da rotina hospitalar e das etapas do tratamento com seus seguidores. Mesmo diante das dificuldades, manteve publicações demonstrando esperança e confiança na recuperação.
Após receber alta, deu continuidade aos cuidados médicos e procurou retomar gradualmente suas atividades. Em 2026, porém, revelou que a doença havia voltado e que precisaria passar por novas sessões de quimioterapia.
Em 30 de setembro deste ano, sua equipe informou que ele estava novamente internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, em decorrência da recidiva do linfoma.
Uma trajetória marcada pelo axé
A história de Netinho na música começou em bares de Salvador, onde interpretava canções da MPB e da bossa nova. O reconhecimento nacional ganhou força em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo.
Com o grupo, participou da popularização do axé music, emplacando músicas como “Beijo na Boca” e “O Arrastão”. A experiência abriu caminho para uma nova fase profissional.
Em 1993, o cantor iniciou sua carreira solo e lançou o álbum Um Beijo pra Você, que alcançou grande sucesso comercial. O disco apresentou ao público “Milla”, canção que ultrapassou gerações e se consolidou como um dos grandes clássicos do gênero.
O sucesso da música chegou também a Portugal, ampliando a presença do artista fora do Brasil. Ao longo dos anos, “Milla” permaneceu entre as canções lembradas pelo público em festas, apresentações e celebrações carnavalescas.
Netinho também ficou conhecido por iniciativas que ajudaram a levar o axé para além dos circuitos tradicionais. Em 1990, participou da apresentação de um trio elétrico brasileiro na Itália, durante a Copa do Mundo. Em 1992, levou o formato para a Avenida Atlântica, em Copacabana, em uma iniciativa que marcou a expansão desse modelo de espetáculo.
Problemas de saúde e mudanças na vida pessoal
Em 2013, o cantor enfrentou uma grave crise de saúde, que resultou em internações prolongadas e procedimentos cirúrgicos. Na época, ele relacionou os problemas ao uso de anabolizantes.
O período representou uma ruptura em sua rotina e carreira, exigindo uma longa recuperação. Posteriormente, Netinho falou publicamente sobre a experiência e sobre a necessidade de reconstruir sua vida pessoal e profissional.
Nos anos seguintes, também passou a protagonizar debates nas redes sociais por declarações e posicionamentos políticos que dividiram opiniões entre admiradores e seguidores.
Um legado que atravessa gerações
A morte de Netinho encerra uma trajetória importante para a música popular brasileira e para a história do axé. Com sucessos que marcaram os anos 1990 e continuaram presentes na memória coletiva, o cantor ajudou a transformar o gênero em um fenômeno nacional.
Sua interpretação de “Milla” permanece como uma das marcas mais reconhecidas de sua carreira, associada à energia do Carnaval, à alegria dos encontros e às lembranças de diferentes gerações.
Netinho deixa uma contribuição artística que ultrapassa o sucesso de uma única canção e permanece viva na história da música brasileira.
Texto adaptado: Portal Farol.