Uma crise dentro da crise.
Os contratos futuros de diesel nos Estados Unidos registraram uma queda superior a 6% na quarta-feira (23), após a divulgação de informações de que o governo de Donald Trump estaria estudando suspender as exportações do combustível por um período de 90 dias. A iniciativa teria como finalidade ampliar a oferta no mercado interno e conter a escalada dos preços. A Casa Branca, porém, negou que estivesse preparando a medida, classificando a notícia como falsa. Fontes: Reuters e O Globo.
Trump demonstra apoio à restrição
Apesar da negativa de integrantes do governo, Trump declarou em Nova York que era favorável à possibilidade de limitar as exportações de diesel. Segundo relatos publicados pela imprensa, o presidente vinha discutindo alternativas com sua equipe para reduzir os custos enfrentados por caminhoneiros e agricultores norte-americanos.
O posicionamento expôs diferenças entre as declarações do presidente e as manifestações oficiais da Casa Branca e do secretário de Energia, Chris Wright, que descartaram a existência de um plano para uma proibição total das vendas externas.
Mercados internacionais registram movimentos opostos
A possibilidade de retenção do diesel produzido nos Estados Unidos provocou reações distintas nos mercados. Enquanto os contratos futuros do combustível no mercado norte-americano recuaram, os preços na Europa avançaram até 7%, diante do receio de uma redução na disponibilidade global.
As ações de grandes empresas de refino dos EUA também fecharam em queda. A Marathon Petroleum perdeu aproximadamente 1,2%, enquanto os papéis da Valero Energy recuaram 2,1%.
A perspectiva de maior oferta doméstica nos Estados Unidos contribuiu para pressionar as cotações locais, mas levantou preocupações sobre os efeitos de uma eventual restrição no abastecimento de outros países.
Setor petrolífero questiona eficácia da medida
Representantes da indústria do petróleo e especialistas em energia manifestaram preocupação com a possibilidade de limitar as exportações. Entre os argumentos apresentados está o risco de que a medida provoque consequências contrárias ao objetivo inicial do governo.
Segundo avaliações do setor, a redução das oportunidades de exportação poderia levar refinarias a diminuir suas operações, afetando não apenas a produção de diesel, mas também a oferta de gasolina e querosene de aviação.
O American Petroleum Institute (API) está entre as entidades que apontam possíveis consequências negativas para o abastecimento e os preços dos combustíveis caso a restrição seja implementada.
Brasil acompanha possíveis reflexos no abastecimento
A discussão nos Estados Unidos também despertou atenção no mercado brasileiro. O Brasil depende de importações para complementar o abastecimento nacional de diesel, adquirindo no exterior aproximadamente 30% do volume consumido.
A Petrobras informou, contudo, que as compras previstas para outubro já estavam asseguradas. A diretoria da companhia afirmou que a estatal acompanha os desdobramentos internacionais e avalia os possíveis impactos sobre o abastecimento nos meses seguintes.
Embora não haja indicação de efeitos imediatos sobre as entregas previstas para outubro, uma eventual restrição prolongada das exportações norte-americanas poderá alterar os fluxos internacionais de combustíveis e pressionar os custos de importação.
Por enquanto, a possibilidade de uma proibição permanece cercada de incertezas, diante das manifestações divergentes dentro do governo Trump e da ausência de confirmação oficial de uma decisão.
Texto adaptado: Portal Farol.