Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
Preso nesta quarta-feira, 4, em operação da Polícia Federal (PF), Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era um dos homens de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, e recebeu um apelido que, segundo a própria PF, era condizente com as atividades que realizava para o dono do Banco Master: “Sicário”.
A palavra “Sicário” é bastante antiga, com origem na Roma antiga. No ano 70 d.C., estourou uma revolta do povo judeu contra o Império Romano – mas, já antes disso, um grupo de rebeldes na Judeia passou a utilizar um tipo de adaga pequena, a “sica”, para assassinar autoridades imperiais.
Esse grupo, que recebeu o nome de “sicários”, levava a arma escondida em seus mantos e a utilizava para esfaqueamentos. O sicário da Antiguidade se misturava à multidão para se aproximar da vítima, a apunhalava e desaparecia rapidamente em meio às pessoas.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, seria responsável por intimidar pessoas a mando de Daniel Vorcaro, segundo as investigações Foto: Polícia Militar de MG
Ao longo da história, o termo passou a ser utilizado como sinônimo de assassino de aluguel. Na maior parte das vezes, os assassinatos não eram por uma causa como a dos judeus, mas sim mortes encomendadas por algum mandante ou em alguma conspiração.
Em 2015, foi lançado um filme de ação chamado Sicario, com direção de Dennis Villeneuve e a presença de estrelas como Emily Blunt, Benicio del Toro e Josh Brolin no elenco. Bastante elogiado, o filme conta a história de um agente do FBI recrutado pelo governo americano para tentar derrubar o chefe de um cartel de drogas mexicano. Uma sequência (“Sicario 2: Soldado”) foi lançada em 2018.
O Sicário de Vorcaro não chegou a cometer assassinatos, segundo a PF. Mourão era responsável pelo núcleo de intimidação e obstrução à Justiça (batizado de “A Turma” num grupo de WhatsApp encontrado no celular de Vorcaro). Ele é acusado de obter informações sigilosas mediante acesso indevido a sistemas da PF, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.
Para os investigadores, uma das funções de Mourão seria intimidar funcionários que se opunham às ordens de Vorcaro. Em conversas de WhatsApp, o banqueiro relata que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e diz que Sicário tem que “moer essa vagabunda”. Em outro bate-papo, Mourão se oferece para mobilizar “A Turma” para constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.
As conversas incluem ainda troca de dados pessoais e pedidos para “levantar tudo” sobre dois funcionários, incluindo um chef de cozinha. Segundo a Polícia Federal, Sicário recebia R$ 1 milhão por mês, que depois era distribuído entre a Turma.
Mourão foi preso preventivamente em Belo Horizonte nesta quarta e cometeu suicídio na sede da PF em Minas. Ele chegou a receber atendimento e foi levado ao hospital, mas não resistiu.
Fonte compartilhada: História de