O que começou como uma incerteza no mercado internacional de petróleo chegou às bombas de São Joaquim de forma severa. Os seis postos de combustível do município já operam sob regime de racionamento. A medida, adotada para evitar o desabastecimento total, limita a venda de diesel e, em alguns casos, de gasolina, entre 10 e 50 litros por cliente. Já é comum ver uma grande moviementação de veículos fazendo fila para abastecer em São Joaquim.
O Gargalo na Distribuição
O problema não é a falta de demanda, mas a incapacidade das distribuidoras em cumprir os pedidos. Em entrevista exclusiva, a gerente de um dos postos afetados revelou a dificuldade logística para manter a cidade abastecida. Segundo ela, as distribuidoras estão limitando o volume de carga enviado à Serra Catarinense.
“O pedido que eu faço de carga completa, eles me liberam só 50% da carga. Por esse motivo, preciso fazer viagens a Lages todos os dias para trazer apenas 12 ou 13 mil litros, divididos entre gasolina e diesel. Com esse volume, consigo trabalhar somente um dia”, explicou a gerente.
Impacto no Dia a Dia
Além do diesel, a gasolina também começou a ser racionada em alguns estabelecimentos, com limites que variam de 10 a 50 litros. A estratégia visa garantir que veículos de emergência, como ambulâncias e viaturas de polícia, não fiquem sem combustível caso a situação se prolongue.
Até o momento, não há previsão de normalização por parte das distribuidoras. A recomendação aos motoristas é de cautela e que evitem viagens desnecessárias, priorizando o uso do combustível para atividades essenciais e de trabalho.
O Cenário Macro: Guerra e Logística
Conflito no Oriente Médio: A tensão global fez o barril de petróleo disparar, reduzindo a importação de diesel pelo Brasil.
Cotas em Lages e Araucária: As bases de abastecimento que atendem a nossa região (Lages e Araucária-PR) estão operando com cotas rigorosas, priorizando contratos fixos e deixando postos independentes em situação vulnerável.
Pico da Safra: Em São Joaquim, o diesel é o combustível que movimenta os caminhões da safra da maçã. O racionamento de 50 litros por veículo pode ser insuficiente para caminhões de grande porte, o que pode atrasar o escoamento da fruta.
Racionamento de Diesel ameaça o escoamento da maior Safra de Maçã do Brasil em São Joaquim
Com menos de 40% das 400 mil toneladas colhidas, produtores da Capital Nacional da Maçã enfrentam falta de combustível para tratores e caminhões no momento crucial da safra 2026.
O município de São Joaquim vive uma corrida contra o tempo e contra a falta de combustível. No auge da colheita da safra 2026, que projeta um volume superior a 400 mil toneladas, a logística de escoamento pode estar sendo estrangulada. Segundo levantamentos do setor, menos de 40% da produção foi colhida até agora, e o combustível necessário para movimentar os tratores nos pomares e os caminhões nas rodovias começa a ficar escasso.
Situação Geral
O desabastecimento não é isolado. Em todo os estados produtores do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e agora na Serra Catarinense, a alta demanda da colheita de verão (soja, arroz e maçã) somada a problemas nas refinarias e cortes nas entregas das distribuidoras criou um cenário de pré-colapso.
Impacto na Economia Local
“Se o caminhão não tem diesel para levar a maçã do pomar para o packing house, o prejuízo é em cascata. O produtor perde a janela de colheita e a qualidade do fruto cai rapidamente”, alertam lideranças do setor.
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