Vereador com 12 mandatos consecutivos é investigado por suspeita de desvio de R$ 16 milhões em SC
O vereador Nirdo Artur Luz (PL), conhecido como Pitanta, foi um dos alvos de uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (29), que apura possíveis irregularidades envolvendo cerca de R$ 16 milhões do instituto de previdência dos servidores públicos de Palhoça, na Grande Florianópolis.
Atual presidente da Câmara Municipal e reconhecido por exercer 12 mandatos consecutivos, sendo considerado o vereador com maior tempo de atuação ininterrupta no país, Pitanta também ocupou interinamente o cargo de prefeito em 2013, período em que teriam ocorrido as movimentações financeiras investigadas.
Durante a manhã, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar. Em manifestação oficial, ele negou envolvimento nas operações financeiras sob investigação e afirmou que não assinou documentos relacionados aos investimentos nem participou das decisões que determinaram sua realização.
De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é de que os recursos previdenciários tenham sido direcionados irregularmente para fundos de investimento. As diligências também alcançaram outros três imóveis relacionados aos investigados, localizados em São José, na Grande Florianópolis.
A operação inclui ainda medidas judiciais para bloquear valores, tornar imóveis indisponíveis e apreender veículos e embarcações pertencentes aos suspeitos ou a empresas possivelmente envolvidas. Os nomes das empresas não foram divulgados pelas autoridades.
Em posicionamento sobre o caso, a Prefeitura de Palhoça informou que os fatos investigados dizem respeito ao exercício financeiro de 2013 e que a atual gestão está colaborando com os órgãos responsáveis pela apuração.
O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Palhoça (IPPA) também se manifestou, destacando que considera inaceitáveis eventuais práticas contrárias às regras de transparência, governança e segurança na administração dos recursos previdenciários. A entidade ressaltou que o patrimônio administrado pertence aos servidores municipais e tem como finalidade garantir o pagamento futuro de aposentadorias e pensões.
Investigação aponta possível ocultação do patrimônio
Uma das linhas de investigação da Polícia Federal considera a possibilidade de que parte dos valores movimentados irregularmente tenha retornado aos envolvidos. Os investigadores identificaram indícios de aquisição de imóveis e veículos que teriam sido registrados em nome de terceiros ligados aos suspeitos, possível estratégia para ocultar a origem dos recursos e seus beneficiários.
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda dependem do avanço das investigações e da análise das provas reunidas durante a operação.
Texto adaptado: PortalFarol.