23 de outubro de 2017
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Chiquinho
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A cada cinco crianças nascidas no Paraná, uma é filha de mãe adolescente

PUBLICADO DIA: 26/09/2017
POR: Portal Farol
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Letícia Carvalho estava no terceiro ano do ensino médio, preparando-se para o vestibular, quando recebeu a notícia: aos 19 anos, seria mãe pela primeira vez. A surpresa acabou virando sua vida de cabeça para baixo, impedindo a conclusão da universidade (fora aprovada naquele mesmo ano, 2010, em Ciências Sociais na UFPR), a afastando de seu círculo social e acarretando na perda de várias oportunidades de emprego, segundo ela própria relata.
A situação de Letícia, contudo, é apenas mais uma entre tantas. Segundo dados do Ministério da Saúde, de cada cinco bebês que nascem no Paraná, um é filho de mãe adolescente (idade entre 10 e 19 anos de idade). Entre 2006 e 2015, último ano com dados disponíveis, 292 mil crianças nasceram com mães jovens, o equivalente à média de 80 nascimentos por dia.


Assim como no caso da Letícia, para essas jovens a gravidez, na maior parte das vezes indesejada, representa o afastamento da escola e do mercado do trabalho. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre as adolescentes que têm filhos, 75,7% não estudam e 57,8% não estudam nem trabalham. Além disso, há a possibilidade de complicações de saúde relacionadas à gravidez ou ao parto.
“Além de se afastarem da escola, essas jovens não estão preparadas para cuidar do bebê, que acaba sendo cuidado pela mãe e pela avó. Essa criança não tem, em geral, as condições de um desenvolvimento adequado. A mãe acaba tendo o próprio futuro e o da criança prejudicados”, avaliou o professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), Vicente Faleiros, autor de estudos sobre adolescentes e políticas públicas, em entrevista à Agência Brasil. Ele aponta ainda outro problema. “Longe da escola, essa menina tende a engravidar outras vezes”, o que dificulta ainda mais a inserção nas escolas e no mercado.
O ginecologista Wagner Dias, ex-coordenador do Programa Mãe Curitiba, aponta a necessidade de investimentos na área de educação. “As famílias e as escolas precisam discutir esses assuntos, mostrar para os adolescentes o resultado de uma gravidez não planejada. Temos muitos jovens de 12 anos engravidando, por isso além da conversa é preciso pensar em métodos contraceptivos de longa duração”, explica.
Encarando o preconceito de um novo mundo
Quando engravidou de sua primeira filha, a Luíza, Letícia Carvalho estava no Terceirão de um colégio particular de Curitiba. Quando a barriga começou a aparecer, ela virou o centro das atenções. E não num sentido positivo. “Vinham várias meninas e meninos de outras turmas na porta da sala para ver quem era a tal menina que estava grávida. Foi fofoca por todo lado, até porque eu era a única menina grávida da escola.”
Não foi só no ambiente escolar, contudo, que a vida da jovem, hoje com 26 anos, acabou mudando. Os amigos mais próximos se afastaram, bem como ela encontrou dificuldades para continuar trabalhando.
“Foi difícil conciliar meus planos, projetos e expectativas com a nova realidade. Na faculdade, por exemplo, comecei 3, 4 meses depois dos colegas e tive dificuldade para adaptação. Tinha de levar minha filha comigo pois não tinha com quem deixar e logo minha atenção estava entre ouvir o professor e cuidar do bebê. Como consequência, abandonei o curso.”
Maternidade pública oferece apoio às jovens
Em Curitiba, há mais de 10 anos existe o projeto “Quero Colo”, voltado para o atendimento à Gestante Adolescente (10 a 18 anos), ofertando todo o suporte para que essas jovens tenham os seus bebês. A iniciativa é mantida pela maternidade pública Mater Dei, a maior de Curitiba, atualmente incorporada ao Hospital Nossa Senhora das Graças.
estava entre ouvir o professor e cuidar do bebê. Como consequência, abandonei o curso.”
O projeto, que conta com seis vagas para as novas mães, funciona como uma espécie de sala de aula, ensinando às jovens sobre os cuidados com os bebês e também as conscientizando e auxiliando nessa passagem da adolescência para a vida de mãe. Além disso, há também a distribuição de roupinhas e fraudas, que ajudam e muito as jovens, em sua maioria carentes.

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